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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lido por aí...

(imagem daqui!)

Rir junto é melhor que falar a mesma língua. 

Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.
Mia Couto

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vida a dois...

"Naquele dia não se queria arriscar a passar tempo sozinho em casa, nem sequer se atrevera a ouvir o rádio, evitando as músicas que eles iriam dedicar, esta e aquela mensagens lidas no ar. Apenas iria fazer com que ele sentisse a falta... de tudo. Sim de tudo. Sentia saudades da porta a fechar-se, quando ela chegava a casa à noite depois do trabalho. Sentia a falta das mensagens telefónicas (...). Sentia a falta do clube do livro de Christine (...) Sentia saudades de como se sentia ao segui-la escadas acima, de a despir e fazer com ela um amor lascivo, naqueles ataques espontâneos e românticos que Grigori considerava um privilégio secreto da vida de casado.
Claro que ele sabia que tipo de pensamentos eram aqueles: aqueles nem sempre verdadeiros em que se esquecia convenientemente de outros momentos, em que ele e Christine se tinham zangado pela mais pequena coisa, em que se tinham até sentido irritados pela mera presença constante do outro; e por vezes até tinham dito coisas terríveis - irreversíveis e dolorosas - que, depois, se prolongavam durante muito tempo como um odor fétido. De seguida, havia longos períodos de calma. E no entanto, aquelas discussões, aquela irritação, também isso fazia parte da cola delicada que os mantinha juntos, que os fazia sentir alguma coisa, mesmo quando por vezes, se sentiam fartos um do outro durante longos períodos de tempo, cansados            
um do outro, antes de voltarem a assentar no seu amor mais habitual, domesticado e tranquilo, mas ainda forte e real."

Daphne Kalotay in Inverno Russo

sábado, 9 de março de 2013

“Por isso mesmo, é para ver se passa.”

“A partir de agora, sempre que a sua (ou seu) cara metade se desculpar com uma dor de cabeça para se recusar a ter relações sexuais, já lhe pode dar uma resposta: “Por isso mesmo, é para ver se passa.” De facto, uma investigação feita por neurologistas da Universidade de Munster, na Alemanha, conclui que a actividade sexual pode resultar num “alívio total ou parcial” em certas dores de cabeça. A explicação é que a actividade sexual liberta endorfinas, uma espécie de analgésico natural criado pelo organismo, que é disseminado pelo corpo através do sistema nervoso central. (…)”

José Cardoso in Revista do Expresso nº 2106 (09.03.2013)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Crianças difíceis

Ainda ando às voltas com o livro "A vida não se aprende nos livros" de Eduardo Sá. Um livro com textos curtos, em tom informal em que o autor parece entabular uma conversa com o leitor, conduzindo-o, sem dúvida, à reflexão sobre temas pertinentes relacionados com a maternidade/ paternidade, o amor e os sentimentos.

Hoje não resisto em registar aqui no blog mais um excerto interessante deste homem que "escreve como fala" e "tem o condão de ser capaz de nos guiar pelo labirinto das emoções sem pressas."

Temos por hábito rotular os nossos filhos. Por mais que nos digam que é incorrecto, que pode causar um impacto negativo, às vezes torna-se mais forte do que nós (ou do que a nossa razão) e lá se nos escapa: és um malandro!; És teimoso!; O meu filho é difícil!.

O meu filho, costumo eu dizer, tem uma personalidade muito vincada e forte e sabe perfeitamente o que quer... e às vezes isso gera situações mais complicadas, porque enquanto mãe tenho que o saber conduzir e fazer entender que há coisas correctas, e coisas incorrectas. Coisas para as quais ainda é demasiado pequeno, coisas sobre as quais ele ainda não pode decidir, situações em que ele não pode mandar, entre outras. Para quem está do lado de "fora", muitas vezes veêm no meu filho, uma criança difícil. Mas não serão todas as crianças dificeis? Não seremos nós adultos difíceis?

"Há adultos que teimam em achar que algumas dificuldades que as crianças trazem à sua preguiça de as pensar as transforma em crianças difíceis.
As crianças difíceis não se sujam, obrigatoriamente, quando comem gelado, não são mal educadas sempre que tomam a palavra na escola, e os seus quartos não são, invariavelmente, «pequenas selvas» onde se tropeça em roupa, livros, e em pacotes de bolachas.
As crianças difíceis - falando demais ou ficando barricadas em silêncio, sendo arrumadas ou varrendo, ciclonicamente, a secretária e os papéis dos pais - são todas aquelas acerca de quem os mais crescidos se recusam a pensar, com a desculpa de que não trazem, numa última página, só para os mais crescidos, todas as soluções.
As crianças difíceis são todas aquelas acerca das quais os pais reconhecem que lhes dão problemas, como se, na vida, difícil de todo não fosse crescer sem os criar e sem ter quem os ajude a resolver.
As crianças difíceis são todas aquelas que, por serem demasiado iguais a alguns dos pais, os fazem recusar ver nelas o que tentam esconder de si próprios.
As crianças difíceis são, também, aquelas que parecem «adultos de calções» junto de quem os pais, de tanto se anularem, se tornam crianças de gravata. Porque - não se esqueça - atrás de uma criança difícil está um adulto em dificuldades e que, ao defini-la assim, acaba por dizer que há dificuldades que se tivessem uma solução... já a teria visto."

Eduardo Sá

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Para reflectir: foram felizes para sempre.

Uma relação é como um livro que se abre
sem sabermos as histórias que nos traz…

P.A.

Uma relação não é um livro que se abre (como se, alguém por nós, tivesse escrito o argumento do nosso destino), mas como um livro que se escreve. Que existe antes da escrita, e continua por escrever… depois de escrito. É mais que todo o espaço que vai de «era uma vez» a «foram felizes para sempre». E se não for assim, desculpe, pode ser que se preencha de personagens ternas e ousadas, sinistras ou misteriosas, mas talvez tenha deixado de ser… uma relação.

Eduardo Sá in A vida não se aprende nos livros

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sou uma árvore...


"Sou uma árvore, o eixo do mundo, a essência da vida. Proporciono lar, lenha, sombra, casa para as aves. Vivo em contínua regeneração. Nasço, morro e renasço a cada ano, em ascensão permanente para o céu, sou sábia. Comunico com os três níveis do Cosmo: as minhas raízes revolvem o subsolo, o meu tronco mora na terra, a minha copa eleva-se em direcção ao céu. Reúno a totalidade dos elementos: a água flui no meu interior, a terra integra-se nas minhas raízes, o ar alimenta as minhas folhas, o fogo surge da minha fricção. Não sou loureiro, sou sorveira. Sou uma árvore, um ente perfeito, o eixo do mundo, estrutura suficiente e completa..."

Lucía Etxebarría in o visível e o invisível

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Últimas frases: Somos muitas pessoas diferentes

"No casal enamorado nenhum dos dois vê no outro uma só pessoa, mas sim muitas pessoas diferentes, sempre novas, sempre surpreendentes. Uma noite, conversando com um amigo meu que depois de quinze anos de casamento olhava com olhos amorosos para a sua mulher eu disse-lhe: «Olha que a tua mulher, para ti, não é só uma mulher. É muitas mulheres diferentes. Fina como um junco, graciosa, segura-la nos teus joelhos como uma criança, brincas: é tua filha. Ao mesmo tempo cuida de ti: é tua mãe. É bela, admira-la: é uma diva. Mas é também a tua amante, a tua geisha. Cuida da tua casa, portanto é a tua governanta. Ajuda-te com todo o desvelo: é a tua secretária. Ao mesmo tempo guia-te: é o teu dirigente. Aprende de ti: é a tua alma. Ensina-te como agir: é a tua professora. Como és neurótico, ela é a tua psicoterapeuta. Apoia-te: é tua cúmplice. Censura-te: é a tua consciência moral. E, enfim, é a tua mais fiel aliada na luta pela vida. Estás a ver, vocês os dois na realidade são muitas pessoas diferentes. E têm tanto que fazer, que discutir, tanto que dizer um ao outro, que nunca se cansarão."
 
Francesco Alberoni in Amo-te

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Palavras que obrigam a reflectir.

A navegar por aí cruzei-me com um belo texto de Khalil Gibran extraído do livro "o profeta", que confesso nunca li. Mas depois de ler este texto sinto-me tentada a fazê-lo... a ver vamos quando, porque a minha lista de leituras contínua a crescer de dia para dia... e ultimamente não tenho lido quase nada.

As rotinas do dia-a-dia consomem o meu tempo quase todo, e quando finalmente dou o dia por finalizado entrego-me ao sofá e a um qualquer programa idiota de televisão ou então dedico alguns minutos a ler comics ou a fazer sudoku's. Isto vai ter que mudar, eu sei... vou ter que arranjar tempo e energia para fazer coisas de que realmente gosto. Poderão dizer-me fecha os olhos às tarefas domésticas. Ao que respondo já fechei. Faço apenas o que realmente tem de ser feito.

Mas adiante e vamos lá ao texto que foi o pretexto deste post:

E uma mulher
que trazia uma criança ao colo
disse:
- Fala-nos das Crianças.

E ele respondeu:
- Os vossos filhos
não são vossos filhos:
são filhos e filhas
do chamamento da própria Vida.

Vêm por vosso meio
mas não de vós;
e apesar de estarem convosco,
não vos pertencem.

Podeis dar-lhes o vosso amor;
mas não os vossos pensamentos:
porque eIes têm pensamentos próprios.

Podeis acolher os seus corpos;
mas não as suas aImas:
porque as suas aImas
habitam a casa de amanhã
que não podeis visitar,
nem sequer em sonhos.

Podeis esforçar-vos por ser como eles;
mas não tenteis fazê-los como vós.
Porque a vida não vai para trás,
nem se detêm com o ontem.

Sois os arcos, e os vossos filhos
as setas vivas projectadas.

O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito,
e reteza-vos com o seu poder
para que as setas
possam voar depressa para longe.

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro
seja de alegria.

Porque assim como Ele gosta
da seta que voa,
também gosta do arco que fica.

Khalil Gibran in “O Profeta”

Li, e fiquei a pensar... é profundo, simples e tão verdadeiro!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Caminhos

"Todos os caminhos são caminhos solitários, todas as procuras são procuras solitárias. Mas há os encontros que temos ao longo do caminho, e esses encontros são fundamentais, podem fazer-nos ir mais longe. Podem fazer-nos perder o rumo."
 
Ana Teresa Pereira in Se nos encontrarmos de novo

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Últimas frases... (IV)


"E também dentro de mim a onda se ergue. Cresce, arqueia o dorso. Uma vez mais sinto renascer em mim um desejo, qualquer coisa que vem do mais fundo de mim, como o altivo cavalo que o esporeia e em seguida refreia. Tu, sobre quem cavalgo, diz-me que inimigo vemos agora avançar contra nós, neste momento em que golpeias a calçada com os teus cascos? É a Morte. A Morte é o nosso inimigo. É contra a morte que cavalgo de lança em riste e os cabelos flutuando ao vento, como os de um jovem, como os de Percival quando galopava na Índia. Cravo as esporas nos flancos do meu cavalo. Invencível e indómito é contra ti que combato, oh Morte!

As ondas desfazem-se na praia."

Virginia Woolf in As Ondas


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Últimas frases... (III)

“And she had Clara. She slipped her hand into Clara’s and felt the comfort of her responsive squeeze. She thought, The world is a beautiful and terrible place. Deeds of horror are committed every minute and in the end those we love die. If the screams of all earth’s living creatures were one scream of pain, surely it would shake the stars. But we have love. It may seem a frail defence against the horrors of the world but we must hold fast and believe in it, for it is all we have.”

PD James in The private patient

Como me indentifico com estas palavras...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ler e pensar


"Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos."

John Lennon

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Citando: Noite

Titania Sleeps (1928) • Frank Cadogan Cowper

“Sou por dever do ofício, impenitente noctívago: a Noite é, para mim, não mais do que a sequência do dia, feita na ausência da luz. Todavia, a noite nunca anoitece nos meus olhos: ela é o rasto do dia que a antecede, ela é presságio do dia prestes a amanhecer. Por isso, a noite é um hiato contínuo em metade das nossas vidas, nascendo para ser ungida como uma crença da luz. (…) Sábia conselheira, a Noite ajuda-me a sarar frustrações, a mitigar angústias, a perdoar injustiças, delas guardando não mais do que tolerante memória. Ensina-me, até, a destrinçar o que eu julgava ser, daquilo que realmente sou: mais alma do que pragmatismo, mais coração do que calculismo.”

Mário Assis Ferreira (Director da revista Egoísta)

Nota: não sou noctívaga, mas adorei esta definição de noite e acho que tem muito de verdade!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Últimas frases... (II)

"Tendo ouvido tantas histórias, relembrei a minha. Durante quarenta anos o passado apenas me despertava remorsos. Uma única pessoa fora realmente importante para mim, mas eu fora pior para ela do que o pior dos maridos. Depois de me ter pedido para ser uma tia para os seus filhos, Flor de Neve dirigiu-me as suas últimas palavras: «Embora eu não fosse tão boa como tu, acredito que os espíritos celestes nos uniram. Estaremos juntas para sempre.» Tantas vezes recordo isso. Estaria a falar verdade? E se no mundo do Além não existe compaixão? Mas se os mortos continuam a ter as necessidades e os desejos dos vivos, então apelo para Flor de Neve e os outros que testemunharm tudo. Por favor, escutem as minhas palavras. Por favor, perdoem-me."

Lisa See in O leque secreto
(recomendo a leitura. Adorei!)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Futuro


- Sabe qual é a única maneira de fazer rir o bom Deus?
Hesitação do outro lado da linha.
- Conte-lhe os seus projectos.
Por outras palavras, nada de pânico, nada se passa como seria de esperar, é a única coisa que nos ensina o futuro ao tornar-se passado.

Daniel Pennac in Mágoas da escola

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sobre a liberdade


“A única liberdade digna desse nome é a de buscarmos o nosso próprio bem pelo nosso próprio caminho, na medida em que não privemos os outros do seu bem nem os impeçamos de se esforçarem por consegui-lo. Cada um de nós é o guardião natural da sua própria saúde, seja esta física, mental ou espiritual. A humanidade ganha mais consentindo a cada qual viver à sua maneira do que obrigando-o a viver à maneira dos demais.”

John Stuart Mill, Sobre a liberdade

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Últimas frases... (I)

"At her side, feeling her warmth against him, Philip was certain that he would soon feel her love as well. Time, he thought. All we really need is time. Isn't that what Michael said? I'll do anything to keep us all together.
He began to dream of Japan, of drinking green tea, of watching the cherry blossoms, of being with his family. His only regret was that Jonas would not be there save in spirit.
He hugged his daughter to him. And he thought, That is the real difference between us, Lillian. It took me a long time, but I have finally learned what life is all about."

Eric van Lustbader in Zero

sábado, 22 de maio de 2010

Sobre o ser humano!

"Fomos capazes de voar como pássaros, de nadar como os peixes, mas não somos capazes de viver simplesmente como irmãos"

Martin Luther King