sábado, 3 de novembro de 2012

Poemas da Minha Vida VI









Filosofia do amor

Todas as fontes com o rio se fundem
E os rios com o oceano;
Os ventos, pelos ares, uns aos outros se unem
Com fragrante emoção;
Nada fica sozinho neste mundo;
Tudo, por fado antigo,
Entre si se mistura e se confunde: -
Por que não eu, contigo?

Olha as montanhas beijam o firmamento,
A onda, a onda enlaça;
Nenhuma flor-irmã tem valimento
Se o irmão não abraça;
A luz do sol envolve a terra à roda,
Raios do luar beijam os mares: -
Mas todas esta ternura que me importa
Se tu não me beijares?

Percy Bisshe Shelley (1792-1822)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Coisas que me irritam...

a falta de higiene e civismo das pessoas,
que muitas vezes só conseguem ver o seu próprio umbigo!

  • Desde sempre detestei usar casas de banho públicas, pelo simples facto de raramente estarem limpas e sobretudo porque quem as usa não respeita quem vem a seguir. Papel higiénico ou outros itens caídos no chão, sujidade agarrada às sanitas... Dá para perguntar: em casa também deixam o lixo caído no chão??? Não usam o piacabá? Decerto não... então porquê estas atitudes quando usam casas de banho públicas?
  • Há uns anos atrás depois de um dia de praia, fiquei chocada com uma amiga. Guardamos o nosso lixo todo num saco e quando saímos da praia levamos o saco para o carro. Na viagem de regresso a casa parámos numa floresta e a fulana pega no saco e atira-o para o meio dos arbustos. Fiquei estupefacta e questionei-a... resposta aqui ninguém o vê! Claro está peguei no saco e levei-o novamente para o carro. Mas nunca me esqueci desta cena. Então não se deixa o lixo na praia, mas atirámo-lo para uma floresta onde ninguém passa?
  • Nas escolas certamente os professores ensinam às crianças que não se deve deitar lixo para o chão. Mas deve imperar o ditado: faz o que eu digo, mas não o que eu faço. Não quero generalizar, claro, mas indigna-me ver professores e adultos na rua que sem rodeios atiram para o chão um guardanapo sujo, uma pastilha elástica ou qualquer outra porcaria. Que exemplos são estes?
  • E quando estamos a andar de carro e de repente vemos uma lata, uma fralda ou um maço de tabaco a voar à nossa frente?
  • Pessoas que não sabem escutar os outros e monopolizam as conversas sempre em torno de si mesmas.
  • Pessoas pouco tolerantes em relação aos outros, mas que quando cometem as mesmas "falhas" acham que são reis e senhores!
É que boas maneiras e bons hábitos cabem em qualquer lugar... 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Últimas frases... (IV)


"E também dentro de mim a onda se ergue. Cresce, arqueia o dorso. Uma vez mais sinto renascer em mim um desejo, qualquer coisa que vem do mais fundo de mim, como o altivo cavalo que o esporeia e em seguida refreia. Tu, sobre quem cavalgo, diz-me que inimigo vemos agora avançar contra nós, neste momento em que golpeias a calçada com os teus cascos? É a Morte. A Morte é o nosso inimigo. É contra a morte que cavalgo de lança em riste e os cabelos flutuando ao vento, como os de um jovem, como os de Percival quando galopava na Índia. Cravo as esporas nos flancos do meu cavalo. Invencível e indómito é contra ti que combato, oh Morte!

As ondas desfazem-se na praia."

Virginia Woolf in As Ondas


terça-feira, 30 de outubro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cantei demais ou canto muito mal!


Eu até sei a resposta, mas para me iludir a mim mesma prefiro fingir que estou na dúvida.

Durante a minha gravidez e tal como os especialistas da matéria recomendam, falei e cantei muito para a minha barriguinha... talvez demais!

Pois agora quando canto, o meu pirralho diz logo: - Já chega mãe!!!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Acordar de madrugada

(nem este quadro na parede,
o convence que dormir até mais tarde é bom)

Já não é a primeira vez, nem a segunda e provavelmente nem a terceira que me queixo de ter que madrugar! A ladaínha continua e de há uns meses para cá tenho acordado, ou melhor sido acordada, por sua excelência meu filho às 6 da manhã. A primeira vez que chama é um "Mãe" subtil e suave, mas a cada repetição o tom vai subindo até que chegamos a um Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
 
Ele já dorme no seu quartinho, que por acaso não é contíguo ao meu. Nas primeira noites ainda usei o intercomunicador, mas rapidamente o dispensei. Pois o aparelho aumentava ainda mais a frequência dos chamamentos...
 
Enquanto sua excelência vai chamando apenas mãe, sem choro ou irritação, eu vou-me deixando estar no ninho a ver se ele ou eu tornamos a adormecer. Mas é completamente impossível porque o mini gajo é persistente. É capaz de estar 40 minutos seguidos: Mãe, Mãe, Mãee, Mãeeee, Mãeeeee! Mãe, Mãe, Mãee, Mãeeee, Mãeeeee!
 
Digam-lá se é ou não uma bela forma de acordar todos os dias?!?!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Poemas da Minha Vida V


Embriaga-te de Charles Baudelaire

Deves andar sempre bêbado. É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa
sobre os ombros e te verga ao encontro da terra,
deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia ou com a virtude. Escolhe tu,
mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio,
sobre as ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto,
tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento,
à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que canta,
a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: «São horas
de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados
do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Com vinho,
com Poesia, ou com a virtude.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Educar...

Concordo com esta frase a 100%!
Raízes e asas é o que todos precisamos
para seguir em frente na vida!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A voz dos poetas nunca se cala!

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,

pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina,
in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

Até sempre!

Bom dia!