quarta-feira, 3 de abril de 2019

Sobre ontem...


Estive de serviço até à meia-noite na feira do livro. Houve um evento sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, na evocação do seu centenário de nascimento. Interessantes conversas, interessantes leituras.
Também me coube, em jeito de surpresa, a leitura de um poema em voz alta.
Aqui fica...


Pátria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'

sexta-feira, 22 de março de 2019

Música para os sentidos...

...porque hoje é Sexta-feira!


Bom fim de semana!

Coisas simples da vida...


Noite de luar

lua cheia
ilumina a escuridão
um baloiço
no frondoso carvalho
movimento oscilante
que embala
meu cansaço
e me transporta 
em direcção ao nada
oscila suavemente
e eu respiro paz.
Na próxima lua cheia
repito novamente.

(das coisas simples e boas que a vida no campo me proporciona)

quarta-feira, 20 de março de 2019

A importância das coisas

Questiono-me muitas vezes sobre a forma como a nossa sociedade está organizada. Com dois filhos em idade escolar também penso muitas vezes em como funciona a escola e que competências são privilegiadas.

Esta introdução surge em relação com o dia do pai. Mais concretamente com a prenda que as crianças ofereceram aos pais e a tristeza que me assola por saber que "a escola" não dá tempo às crianças para que sejam elas a elaborá-la. Sim, as crianças da escola do meu filho (1º ciclo) trouxeram para casa uma prenda para o pai. As crianças trouxeram para casa uma prenda que não foi feita por elas. As crianças trouxeram uma prenda para o pai feita pelas professoras em horário pós laboral.

Fiquei estupefacta. Que sistema é este em que na escola não há mais tempo para as próprias crianças fazerem a prenda para oferecer ao seu PAI?

quarta-feira, 13 de março de 2019

O chapéu de Páscoa

Regra geral sou uma pessoa bastante metódica e organizada... mas quando é para fazer trabalhos manuais parece que essas minhas características se evaporam. Salto a etapa de planeamento, salto a etapa de medir e começo logo a cortar, colar, etc., etc... quando chego ao fim da empreitada concluo que gastei o dobro do material necessário para obter o resultado.

Desta vez o resultado parece-me que foi bastante satisfatório. O miúdo pelo menos pareceu feliz e quis logo levar o trabalho para a escola! 

Agora é esperar pela decisão do Júri. Se bem que a opinião mais valiosa para mim é a do meu filho. E aí já ganhei.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Dons que não tenho: trabalhos manuais

Como qualquer mãe com filhos em idade escolar, de vez em quando recebo em casa solicitações para fazer trabalhos manuais em família. Já não bastava ser no Natal, na festa de final de ano ou no Carnaval, agora lembraram-se também da Páscoa. Temos até dia 25 deste mês para fazer um chapéu alusivo à Páscoa para um concurso. Valha-nos a Internet para buscar inspiração. Contudo fiz asneira, pesquisei, fui guardando umas imagens e mostrei ao filhote. Resultado: escolheu o chapéu mais complicado e elaborado para fazer! (Lembrete para trabalhos futuros: apenas mostrar ideias simples!)

Eu bem me empenho e esforço, mas quando finalmente o trabalho chega à escola e aparece exposto no meio de inúmeros outros, parece que fica logo ofuscado. Ou as outras famílias são muito dotadas nestas artes, ou sou eu que sou mesmo um zero à esquerda.

Vamos lá pôr mãos à obra e ver se é desta que nos safamos!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Mentes pequenas....

Às vezes ainda consigo ser surpreendida pela negativa pela atitude de algumas pessoas. Em geral são coisas que me passam ao lado e que não deixo que me toquem. Outras fico a matutar. Hoje foi o caso.

Entrou um casal na secção onde trabalho, e para além de estarem constantemente a discutir entre si num tom de voz bastante alto a dada altura resolveram falar de mim.

Eu só ouvi ele a dizer: Será que não havia nenhum bibliotecário português. Tinham que por aqui uma estrangeira?

Não pude reagir, obviamente, fingi que nada ouvi. Mas custa-me saber que ainda há pessoas com mentes tão fechadas e tacanhas. Talvez se o dissessem na rua, os teria questionado sobre a quantidade de portugueses que trabalham no estrangeiro. 

Trabalho aqui há 19 anos, vivo no país há mais de 35. Nos tempos de escola tive que engolir muitos comentários desta natureza, e no trabalho foi a segunda vez que tive que ouvir um comentário xenófobo. Não gostei, mas sigo em frente, consciente que ocupo o lugar que ocupo por mérito próprio.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

The peace of wild things

Quando a inspiração para escrever não surge, inspiro-me com palavras inspiradas de outros.
Hoje deveria seguir a corrente e postar qualquer lamechas relacionada com o dia de S. Valentim. Uma canção romântica, um poema de amor, uma selfie enamorada, ou a fotografia do delicioso almoço. Esqueçam!
Celebrar o amor diariamente é o meu lema.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Todo o tempo livre é bom para LER

Ontem à tarde tinha consulta médica marcada no centro de saúde local. Como já sei que a hora marcada nunca é respeitada fui munida com o meu livro e quando finalmente fui chamada faltava-me apenas página e meia para o terminar.

Acabei, menos de uma semana após o requisitar, "Apenas um olhar" de Harlan Coben e a frase promocional da capa, da autoria de Dan Brown, desta feita foi certeira. "Harlan Coben é o mestre da leitura compulsiva e final inesperado, que cativa o leitor logo na primeira página e surpreende na última." 
Já escolhi o livro que me vai acompanhar nos próximos dias ou semanas e espero que não seja uma decepção. Ainda só li as primeiras 25 páginas e até agora não me sinto muito enamorada... a ver vamos... o eleito foi "Sabes quem é?" de Karin Slaughter.

Bom fim de semana e boas leituras.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Leituras em dia

Ora vamos lá falar sobre as minhas mais recentes leituras, antes que as ideias se comecem a misturar e as memórias a desvanecer.
No final do ano passado li pela primeira vez um livro de Joel Dicker e como sabem adorei. De tal forma que resolvi comprar o romance A verdade sobre o caso Harry Quebert para oferecer ao meu companheiro no Natal. Como ele anda embrenhado no Outlander (que são uns verdadeiros camalhaços e uns sete ou oito volumes) quem leu primeiro esta nova aquisição fui eu. E adorei. A forma como Joel Dicker vai construindo o enredo é fantástica e o mistério que envolve as histórias prende me de tal maneira que se pudesse não largava o livro antes de o acabar.
Depois de um grande livro custa-me sempre decidir o que ler a seguir. A segunda escolha de 2019 foi A cadeira preta de Sarah Lemonnier, um género diferente àquele que geralmente elego. Trata-se de uma introspecção da personagem principal sobre o seu percurso de vida. Entre relatos de acontecimentos e as sessões com a psicóloga acompanhamos o processo de auto descoberta de Beatriz. Acima de tudo concluo que as escolhas e percursos que seguimos na nossa vida estão intimamente relacionados com a forma com que olhamos para nós próprios.
Como o fim de semana está à porta e não me imagino sem um livro à mão para ler, a próxima leitura já está definida: Apenas um olhar de Harlan Coben. Volto ao meu género de eleição: uma mistura de thriller e policial.

Bom fim de semana e boas leituras!