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quarta-feira, 21 de março de 2012

One hundred


One Hundred
The child
is made of one hundred.
The child has
a hundred languages
a hundred hands
a hundred thoughts
a hundred ways of thinking
of playing, of speaking.
A hundred always a hundred
ways of listening
of marveling of loving
a hundred joys
for singing and understanding
a hundred worlds
to discover
a hundred worlds
to invent
a hundred worlds
to dream.
The child has
a hundred languages
(and a hundred hundred hundred more)
but they steal ninety-nine.
The school and the culture
separate the head from the body.
They tell the child:
to think without hands
to do without head
to listen and not to speak
to understand without joy
to love and to marvel
only at Easter and at Christmas.
They tell the child:
to discover the world already there
and of the hundred
they steal ninety-nine.
They tell the child:
that work and play
reality and fantasy
science and imagination
sky and earth
reason and dream
are things
that do not belong together.
And thus they tell the child
that the hundred is not there.
The child says:
No way. The hundred is there.

Do livro: Che cos’è un Bambino de Beatrice Alemagna

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os livros - Eugénio de Andrade

Os livros. A sua cálida
Terna, serena pele. Amorosa
Companhia. Dispostos sempre
A partilhar o sol
Das suas águas. Tão dóceis
Tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua branca e vegetal cerrada
Melancolia.
Amados
Como nenhuns outros companheiros
Da alma. Tão musicais
No fluvial e transbordante
Ardor de cada dia.

Eugénio de Andrade
Antologia Breve
Porto, Editorial Nova, 1972

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher

Devagar, muito devagar
O sonho insinua-se
Dando tréguas ao pesadelo
Que caía pesado sob o semblante
Do jovem corpo de mulher,
Oculto num invisível
mas denso manto.
Devagar, muito devagar
Despoja a alma e o coração.
Devagar, muito devagar,
Centelha de esperança
Brilha lúcida nos olhos
Intensos azuis,
Rasgando trilho decidido
Por entre teias emaranhadas,
Devagar, muito devagar…
Emerge a mulher.

Sentada na ponta da lua, 8 de Julho de 2009

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um poema que vem mesmo a propósito...

VAI SER MÃE

Mãos envolvendo
o ventre,
olhos sorrindo.

Rosas, camélias,
zíneas, açucenas,
todas as flores em festa

O corpo é mar calmo
a alma fantasia.
Não há inverno
nem outono
nem crepúsculo.

Passa uma ave,
harmonia.

Sono não tem.

Vou dizer-vos
um segredo.

Vai ser mãe.

Alcina Marques de Almeida in Palavras inquietas
Braga: APPACDM, 1998

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sombra



Caminho na sombra
de um sonho distante.

Lá longe no horizonte
talvez...
os raios de sol
rasguem caminho
por entre as densas brumas...

e aí talvez, quem sabe
meu corpo e alma
possam banhar-se em luz!

MV, 15.05.2007

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um poema sobre a vida


Hoje andei a vasculhar o meu baú de memórias e reencontrei-me com um poema com que me cruzei pela primeira vez há vários anos atrás. O poema é de Alice Ogando (1900-1981), tradutora e autora de diversos originais, bem como de adaptações de peças de teatro.

O poema chama-se Pesadelo, e foi publicado na revista Modas e Bordados, mas poderia igualmente chamar-se Sonho, tudo depende da forma como o lemos e sentimos.

"Arranquem-se as correntes que me prendem!
Derrubem as muralhas que me cercam!
O sol anda lá fora,
a rir, a soluçar,
a amar e a sofrer
talvez, mas a viver.

Eu não quero morrer aqui metida,
banhada no silêncio frio da escuridão.
Nasci ave liberta…
quero voar,
quebrar as asas, adejar no espaço
e cair finalmente,
heroicamente,
de vez, aniquilada, fulminada.
E nunca de asas feridas, inúteis,
padecentes.

Mas antes, pairar alto
lá longe, onde voam as águias,
além, em plena altura!
Olhos postos no sol que me alumia,
nesse bondoso irmão que assim me beija
e que não me deseja
o corpo que banhou da luz mais pura.

Mas antes quero beber avidamente
a luz argêntea do luar,
deixar-me abençoar
pelo orvalho brando da manhã,
minha serena irmã
de olhos de cinza.

Mas antes quero beber a água cristalina
que cai da nuvem densa,
nuvem pesada, imensa,
que me parecia um gigante
quando eu era menina
e já sabia sonhar, fantasiar,
porque afinal,
sou hoje como era dantes. (…)"

Este é apenas o início do poema, que a partir daqui prossegue amargurando-se cada vez mais. Transcrevi apenas a parte de que gostei, para me amargurar e entristecer bastam-me as desgraças e tristezas que nos rodeiam diariamente.

Já aprendi que não vale a pena viver amargurada… a vida são dois dias e é melhor encará-los com um sorriso, nem que seja apenas um triste e ténue sorriso, de que com uma lágrima a escorrer pelo rosto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poema matinal

Hoje para variar um bocadinho, um poema da minha autoria...

Raios de sol intensos,
inundam a alma
desperta e radiante,
dançando como luz
em águas brilhantes.

Cristalino olhar
de intenso azul,
percorre o horizonte
longínquo e distante,
mergulha em sonhos
agitados como ondas
de um tempestuoso mar.

Cabelos doirados
balançam suavemente
ao ritmo do vento.

Corpo presente
no eterno momento,
A alma vagueia
perdida entre o ser
e o não ser
o tudo e o nada.

MV

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um interessante poema de Pablo Neruda


Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

 
Vale a pena dar sempre o melhor de nós!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sísifo de Miguel Torga

Recomeça...

Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Nota: Sísifo foi o meu primeiro verdadeiro contacto com a poesia... o primeiro poema que memorizei e com que me identifiquei, já lá vão mais de 20 anos! Ah... pois é o tempo passa veloz, e deixa as suas marcas!